Análise do filme: Como estrelas na Terra Toda criança é especial, na perspectiva de construção de um texto dissertativo, contendo nele uma análise crítica ao Behaviorismo, e por lógica da educação tradicional.
John B.Watson, em um artigo (1913) inaugurou o termo Behaviorismo, que vem do inglês behavior significa comportamento, daí surge outros nomes como teoria do comportamento, análise experimental do comportamento, comportamentalismo. Para uma melhor análise descritiva nesta ciência, os psicólogos behavioristas chegaram aos conceitos de estímulos e resposta. No ensaio sobre O Behaviorsimo texto três diz o seguinte:
“O homem começa a ser estudado como produto do processo de aprendizagem pelo qual desde a infância, ou seja, como produto das associações estabelecidas durante sua vida entre estímulo (do meio) e respostas (manifestações comportamentais)”.
Os teóricos ambientalistas, entre eles Skinner e Watson (do movimento behaviorista), acreditam que as crianças nascem como tabulas rasas, que vão aprendendo tudo do ambiente por processos de imitação ou reforço. A pedagogia tradicional ou diretiva segue fielmente essa crença, onde o professor detém todo o conhecimento e sua obrigação é passar para os alunos (tabulas rasas), que têm como obrigação receber de forma calada, submissa esse conhecimento. Como se percebe, temos aqui o professor e o aluno, o primeiro sempre numa postura ditatorial e o aluno (criança) alguém que está aprendendo e que nada sabe, é uma folha em branco a ser preenchida.
O saber do aluno nesta forma pedagógica só é possível, se o mesmo imitar tudo o que o professor ordenar, ele dita o saber, estimula o aluno, e esse por sua vez balança a cabeça comunicando que entendeu tudo, sendo assim está aprendendo. Se confundir as coisas e querer se aproximar do professor ou de outro colega na busca de uma relação sociointerativa é coagido, porque o papel dele é só ficar calado e imitar, deve ficar o mais longe possível desse professor se fizer o contrário ele não está aprendendo nada e passa a ser o “vilão”. E aqui é que tá o problema porque sendo “vilão” vai ser perseguido, excluído, zombado e posto em castigo. Tudo isso porque o aluno no processo de aprendizagem não copiou o que o professor autoritário falou como nos diz Fernando Becker em Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos:
“Tudo o que o aluno tem a fazer é submeter-se à fala do professor: ficar em silêncio, prestar atenção, ficar quieto e repetir tantas vezes quantas forem necessárias, escrevendo, lendo, etc., até aderir em sua mente, o que o professor deu”.
Esse tipo de professor acredita no conceito equivocado da transmissão do conhecimento, conhecimento enquanto conteúdo, forma ou estrutura, fundamentada numa determinada epistemologia que ele julga está certo (Crença da gênese e do desenvolvimento do conhecimento). Esta velha forma de ensinar e que ainda é muito aplicada na educação atual, claro quê com menos rigor é um pouco perigoso, pois desacredita na forma ou capacidade que o aluno tem, e não a diálogo. O aluno torna-se um banco de dado onde a todo o momento é depositado aquilo que o professor julga ser o certo, mas enquanto as potencialidades do sujeito? Estas não existem? Claro que sim, elas precisam ser percebidas e valorizadas. Então, essa forma pedagógica, epistemologicamente falando ofusca as outras capacidades que o aluno tem principalmente sua capacidade de criação, e de relação com os demais colegas.
No filme Como estrelas na Terra Toda criança é especial, um belo filme comovente onde mistura arte e educação. Conta a história de um garoto (Ishaan Awasthi) de oito anos que sofre com dislexia (dificuldade na leitura, escrita e soletração), diagnosticado por um professor de artes Ram Shankar Nikumbh, mas antes de alguém perceber ou compreender esse problema Ishaan Awasthi, vive em conflito a todo momento seja na escola ou na família, “ler e escrever é um castigo para ele”, “comete sempre os mesmo erros”, tudo por conseqüência de um contexto sócio-histórico cultural onde a “ ordem, disciplina e trabalho é a chave do sucesso” como o próprio pai do garoto diz no filme.
O processo de aprendizagem de Ishaan antes do inesperado professor de artes aparecer, é uma educação calcada numa pedagogia, legitimada pela epistemologia empirista cujos efeitos colaterais podem ser:
“reprodução da ideologia; reprodução do autoritarismo, da coação, da heteronomia, da subserviência, do silêncio, da morte da crítica, da criatividade, da curiosidade. Nessa sala de aula, nada de novo acontece: velhas perguntas são respondidas com velhas respostas”.
Na casa de Ishaan não parece ser diferente, como vimos no filme, seu pai tem uma personalidade forte, a todo o momento o garoto é coagido por ser diferente, seja na escola ou na família e custa a ser compreendido, ele só precisa de alguém que o entenda e perceba que é especial e gosta de cores, peixes de aquário, cães e pipas, ou seja, de alguém que possa usar dessas coisas que mais lhe chamam a atenção para uma nova forma de educá-lo. O que falta aqui é ir para o campo das possibilidades, foi o que o novo professor de artes fez, primeiro quebrou o protocolo autoritarista e usou daquilo que as crianças mais gostam interatividade através da arte. Impressionados com o novo professor elas foram se abrindo aos pouco, e novas formas de conhecimento foram surgindo.
O olhar do professor para a individualidade de cada criança foi fundamental nesse novo processo de educação, por isso ele conseguiu descobrir qual era o problema maior do aluno (Ishaan), como ele já tinha passado por esta mesma situação, não foi muito difícil diagnosticar tal problema. Observar as soluções para esse determinado problema é muito importante, no filme o professor mostra muita sensibilidade e não se teme diante de tamanha responsabilidade, procura a família do garoto e a conscientiza sobre o que está se passando colocando numa postura de pai, até se confronta com o pai de ishaai que está educando o filho pra ser um competidor, fundado no trabalho e ordem não levando em consideração a idade da criança e nem as etapas do seu desenvolvimento infantil.
Chegamos num ponto importante onde família e escola se encontram, esta junção quando se dá de forma correta, o aluno, a criança, o futuro adulto a própria sociedade só tem a ganhar quando acontece o contrário surge mais um novo problema. Muitas vezes a família custa em aceitar os reais problemas de seus filhos, e isso refletirá na escola, essa não aceitação só dificulta o desenvolvimento educativo do aluno. A família do mesmo tem que se colocar como mediatizadora e responsável nesse processo de aprendizagem, essa interatividade pode ser uma maneira interessante para educação de ambos.
O professor não deve colocar-se como o único mediador do conhecimento, existem muito outros meios, e através desses, conduzir o aluno para um nível de aprendizagem contextualizada a partir de sua realidade sócio-histórico, para que possa chegar ao conhecimento almejado. Aquilo em que Vygotsky com sua abordagem sociointerativa nos propõem, segundo a qual o desenvolvimento humano se dá através dos processos de interação e mediação. O aluno precisa relacionar-se com seus demais colegas, compartilhar conhecimentos, e se tratando de crianças isso passa a ser fundamental.
O educador tem que está atento as necessidades, aos conflitos internos ou situações que o aluno possa está passando no seu percurso de aprendizagem. Averiguar o porquê de não está progredindo, e levantar novas possibilidades de ensino numa avaliação continua da pedagogia que está sendo aplicada. Como o que está em jogo é o bem está e a aprendizagem do aluno é importante voltar para outros meios sócio-educativos não colocar os meros exercícios, provas e atividades como únicos meios de se chegar ao conhecimento.
O professor de artes Ram Shankar Nikumbh de forma surpreendente desarmou, desconstruiu a forma pedagógica que antes era ensinada aos alunos, já foi chegando na sala de aula despertando neles a curiosidade através da arte de educar, conduziu-os a cantarem, levou-os a pularem nas cadeiras, saíram das quatros paredes da sala de aula para explorar o ambiente fora dela criando momento e espaço de criação, antes, tudo isso nem pensar, novas formas de ensinar trás novas formas de aprender, e a partir do novo, do inesperado as crianças aprendem, suas potencialidades passam a ser percebidos no caso de Ishaan seu dom e bom gosto pela arte, fruto da diferente forma pedagógica de ensinar, valorizando a diversidade e as potencialidades de cada um.
Nesse processo de aprendizagem a linguagem é fundamental, o diálogo crucial, principalmente se tratando de professores de Língua Portuguesa e Literatura, a busca constante por novidade se faz necessário, uma vez que a língua está sempre em transformação. A partir da realidade cotidiana e sócio-cultural do educando, o professor pode buscar nas multimídias suportes para melhor dinamizar a importância da língua no meio social.
Excelente compreensão da suposta proposta entre o filme e o conceito de educação tradicional. Parabéns velho!
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